15 novembro 2006

Um apelo aos deuses

Do sorriso extraio um desejo que transformado pelo tempo atrai o ódio. Neste rosto de angélicas linhas está desenhado o poder da devassidão, mas ainda não descobri que força é esta que me lança ao corpo do sentimento ardiloso que é o amor, mesmo que seja vil sua essência, mesmo que se torne um martírio, mesmo que seja uma eterna reprodução de minhas neuroses, mesmo que seja apenas a redundância que me impede de ver o óbvio que caminha ao meu lado, mesmo que ele seja eu mesmo em conflito pelo amor-próprio. Mesmo que nada disso seja real, eu sou produto de mim mesmo em profusão detestável pelo encontro da minha figura menos rude, sem minhas brutalidades, sem minha impulsão. Duvido neste ponto de mim mesmo, porque se me falta o ímpeto, me descontruo, sou uma imagem refletida em um espelho disforme, é um fim inevitável para minha existência tensa e fugaz. Se me querem como qualquer um que vaga pelas estradas sedentos pelo trato com o outro apenas na carne e no sabor, me suicidarei o quanto antes, para descobrir se noutro espaço existir faz algum sentido. Entretanto, minha vida é minha consciência, por isso não me rendo, e leio, porque na leitura encontro as profundezas obscuras que me constituem enquanto homem. São mulheres e homens que permeiam este imaginário, excêntrico para alguns, piegas para muitos, ingênuo para o mundo. Se me chamam "Idiota", isto só me faz envaidescer, porque me vejo inserido no universo dostoievskiano como aqueles que serão personagens para além de seu tempo, percorrendo as intempéries do tempo humano, transformando pensamento e vida. Se me chamam "Ingênuo", preciso rapidamente escrever um livro e utilizar este adjetivo como título de uma obra que consagrará uma criatura a viver pelos outros. Assim me destituo do comprometimento com podres cordas para morrer em vida e buscar destruir o ressentimento, romper com os limites que nos obrigamos a seguir, somente para me reconstruir e devolver ao homem a noção do pecado original: a maçã tem que ser nosso alimento, o símbolo do amor pelos outros, como a nós mesmos.

4 comentários:

Anônimo disse...

HAHAHAHAHAHA

Gi disse...

Muito bom, hein!? VIVA os ingênuos, os puros d´alma...! VIVA A PATOTA DA ALEGRIA! hahahaha...Gostei muito! =)

Rodrigo Palestino disse...

Maneiro!
Suas palavras me remeteram ao, como é conhecido, 2º homem mais sábio do mundo: Salomão!
suas palavras eclesiásticas o levavam a refletir na vida e ver que nada vale a pena. TUDO É VAIDADE!
No entanto, ele resistia e tomava amesma atitude: ler, e continuar lendo... e observando (através de uma leitura)como funcionava essa "dita" vida.

FIGUEIRA disse...

Sem comentários.
mesmo pq eu não li.
acordo amanha cedo e leio.
só tou deixando o recado pra vc saber q eu sei q vc sabe que eu entrei.