04 maio 2010

A lâmina

Recebi um bisturi
de mãos alheias

Cravei a lâmina no tórax
Rasguei a pele
Quebrei os ossos
Até o meio do peito

Com as mãos
Abri a caixa torácica

Talhei outro nome
Em minhas artérias
E mudei a forma de meu coração

Cheguei até os pulmões
E bloqueei a entrada
A saída
E a presença do ar
Fosse carbono
Fosse oxigênio

O bisturi
O bisturi
O bisturi
O bisturi
O bisturi
O bisturi
O bisturi

As imagens
Turvas
Os olhos pularam
A garganta trincada
O sangue explodindo na cabeça
Saindo pelos poros

O bisturi
O bisturi
O bisturi
O bisturi

Eu aceitei
Não me obrigaram
Mas não é meu
Não sou eu.

Por isso,
Vou respirar.

3 comentários:

Carol da Matta disse...

A mesma lâmina que corta o peito é aquela que corta a corda que nos prende. É uma coragem submeter-se a ela, de qualquer forma.

Anônimo disse...

Mas se a lâmina não for minha?

Yuri Waise Cordeiro disse...

( especial para a turma de medicina ?? =P)

Idéias q são introduzidas e de certa forma forçadas a nós, se tornam menos percebidas e mais sutis quando parecem ser inofensivas ou ainda quando PARECEM ser nossas. Fazem acreditar-mos nisso. Mas se o bisturi n é seu, que corda ele arrebentará e q cicatriz irá deixar?